Fecombustiveis entrevista Inacio Rodrigo de Castro

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Mesmo que a ideia de vender seu negócio não faça parte dos planos, saber como calcular seu valor pode fazer toda a diferença para melhorar a lucratividade. A opinião é da professora da FIA (Fundação Instituto de Administração), Liliam Sanches Carrete, que escreveu o livro Quanto Vale o Meu Negócio (Saint Paul Editora). Segundo ela, independentemente da intenção de vender ou não a empresa, todo empreendedor deve conhecer o valor real do seu negócio. Esta avaliação permite a identificação de pontos falhos e a adoção de práticas para corrigir os erros e valorizar cada vez mais a iniciativa.

Liliam destaca que o cálculo do valor de um empreendimento não pode ser feito de forma simplista. O conceito de valor inclui desde o chamado valor patrimonial (bens como imóveis, equipamentos, estoque e os pagamentos a receber, descontadas as dí­vidas), até a forma como os clientes percebem a empresa.

No caso dos postos revendedores, além do imóvel e equipamentos, existe o chamado fundo de comércio, que é calculado com base em algumas variáveis, como localização, histórico do empreendimento e faturamento, entre outros. Mas para a professora da FIA, outros elementos devem ser levados em consideração para se definir o real valor de um posto.

" É necessário analisar sua imagem perante os clientes e a vizinhança, a sua preocupação com a qualidade dos produtos vendidos, a preocupação com a preservação ambiental e a existência de passivos, por exemplo. Apenas para ilustrar, um posto bem localizado, que possua boa galonagem e bom faturamento, mas que tenha má imagem" já tenha sido autuado por venda de produtos fora de conformidade ou por contaminações ambientais "pode ter um valor mais baixo do que outro empreendimento não tão bem localizado, nem tão lucrativo, mas que conte com excelente imagem perante a comunidade", explicou.

Por isso, Liliam considera fundamental que os empresários passem a ver a questão do valor com outros olhos. " Ao calcular o quanto efetivamente estas variáveis interferem no valor do negócio, o empresário consegue enxergar mais claramente sua empresa, se ela está crescendo, onde é possí­vel programar mudanças e como valorizá-la ainda mais", acrescentou. A professora explicou ainda que em geral o valor de um empreendimento é calculado conforme uma fórmula tradicionalmente utilizada em finanças, denominada fluxo perpétuo. Por esta linha de avaliação, o valor de um empreendimento corresponderia a uma projeção do faturamento lí­quido atual da empresa. Assim, para aumentar o valor da empresa em questão, a alternativa seria adotar açíµes para elevar seu faturamento. E como fazer isso? "Em primeiro lugar, percebendo onde existem falhas, e em segundo, corrigindo-as rapidamente", orientou Liliam.

A análise proposta pela professora da FIA já vem de certa forma sendo utilizada pelos empresários de revenda. Para calcular o fundo de comércio de um posto revendedor é necessário levar em consideração diversos fatores, como localização, aparência e histórico do empreendimento, além de galonagem e faturamento.

"É até impossí­vel falar em preço médio de venda de postos, porque cada estabelecimento tem peculiaridades que podem interferir no seu valor", disse Inácio Rodrigo de Castro, CEO do Grupo Catena & Castro(www.catenaecastro.com.br), que entre outras atividades presta assessoria na implantação e comercialização de postos em todo Brasil, por meio da empresa B2CWI Postos de Combustí­veis (www.b2cwi.com). Segundo ele, o valor de um posto revendedor não deve ser calculado de forma rí­gida." Não é uma fórmula matemática. Embora a análise da galonagem seja importante, é necessário verificar o faturamento do posto e a margem praticada. Afinal, de nada adianta vender litros apenas pela quantidade se o resultado não é capaz de cobrir as obrigaçíµes administrativas", explicou. Para o corretor, o valor do fundo de comércio deve ser calculado na relação quantidade de litros vendidos X lucro. Porém, outros elementos que possam representar elevação de vendas devem ser levados em consideração: lojas de conveniência e outros serviços, público a pé que circula pelo empreendimento, contratos com distribuidora em fase final de cumprimento das obrigações assumidas, estado geral das instalaçíµes, o histórico do posto e onde o empreendimento está localizado.

Outros fatores também podem contribuir para o aumento do valor de um posto revendedor. A perspectiva de construção de outros empreendimentos na região que gerem maior fluxo de clientes é um deles. Isso significa que a construção de um shopping, supermercado, ou até benfeitorias realizadas pelo órgão público nas imediaçíµes do posto podem valorizar o empreendimento. "Uma simples mudança no sentido do tráfego pode alterar significativamente o movimento. Por isso, é importante que os empresários acompanhem projetos futuros que possam beneficiar o seu negócio, por meio dos planos diretores da prefeitura municipal", frisou Castro.

Em relação aos passivos existentes, o consultor considera que deve haver uma negociação particular entre as partes. Porém, vale destacar, qualquer passivo, seja contábil, trabalhista ou ambiental, desvaloriza o empreendimento. "A existência de um passivo compromete a imagem do posto", explicou Liliam. " Afinal, se o estabelecimento deixou um passivo trabalhista, por exemplo, é porque sua relação com os funcionários não era correta. Consequentemente, a sua imagem pode estar desgastada. Por isso, a existência de qualquer tipo de passivo pode significar uma desvalorização muito maior do que o valor financeiro necessário para corrigir o problema".

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